Aula sobre a Gita
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Português
AULA SOBRE O GITA
(New Discoveries, Vol. 6, pp. 275-76.)
[Anotações da Irmã Nivedita de uma aula sobre o Bhagavad-Gita em Nova York, registradas em uma carta de 16 de junho de 1900 à Srta. Josephine MacLeod]
Esta manhã a lição sobre o Gita foi grandiosa. Começou com uma longa conversa sobre o fato de que os ideais mais elevados não são para todos. A não resistência não é para o homem que considera repugnante e horrível o gesto do santo leproso que recoloca o verme na ferida dizendo "Coma, irmão!". A não resistência é praticada pelo amor de uma mãe para com um filho irado. É uma farsa na boca de um covarde, ou diante de um leão.
Sejamos verdadeiros. Nove décimos da energia de nossa vida são gastos tentando fazer com que as pessoas pensem que somos aquilo que não somos. Essa energia seria mais bem empregada em nos tornarmos aquilo que gostaríamos de ser. E assim prosseguiu — começando com a saudação a uma encarnação:
Saudações a ti — o Guru do universo, Cujo estrado de pés é adorado pelos deuses.
Tu, ó Alma única e indivisível,
Médico das enfermidades do mundo.
Guru até mesmo dos deuses,
A ti a nossa saudação.
A ti saudamos. A ti saudamos. A ti saudamos. Nos tons indianos — pelo próprio Swami.
Houve, ao longo de toda a palestra, a sugestão de que Cristo e Buda eram inferiores a Krishna — na compreensão dos problemas — na medida em que pregaram a ética mais elevada como um caminho universal, ao passo que Krishna enxergava o direito do todo, em todas as suas partes — aos seus próprios ideais distintos.
English
GITA CLASS
(New Discoveries, Vol. 6, pp. 275-76.)
[Sister Nivedita’s notes of a New York Bhagavad-Gitâ class, recorded in a June 16, 1900 letter to Miss Josephine MacLeod]
This morning the lesson on the Gitâ was grand. It began with a long talk on the fact that the highest ideals are not for all. Non-resistance is not for the man who thinks the replacing of the maggot in the wound by the leprous saint with "Eat, Brother!" disgusting and horrible. Non-resistance is practised by a mother's love towards an angry child. It is a travesty in the mouth of a coward, or in the face of a lion.
Let us be true. Nine-tenths of our life's energy is spent in trying to make people think us that which we are not. That energy would be more rightly spent in becoming that which we would like to be. And so it went — beginning with the salutation to an incarnation:
Salutation to thee — the Guru of the universe, Whose footstool is worshipped by the gods.
Thou one unbroken Soul,
Physician of the world's diseases.
Guru of even the gods,
To thee our salutation.
Thee we salute. Thee we salute. Thee we salute. In the Indian tones — by Swami himself.
There was an implication throughout the talk that Christ and Buddha were inferior to Krishna — in the grasp of problems — inasmuch as they preached the highest ethics as a world path, whereas Krishna saw the right of the whole, in all its parts — to its own differing ideals.
Texto do Wikisource, em domínio público. Publicação original da Advaita Ashrama.