Arquivo Vivekananda

XV Irmão

Volume7 letter
378 palavras · 2 min de leitura · Epistles - Third Series

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Português

XV

DETROIT,

29 de março de 1894.

CARO IRMÃO,[6]*

Sua carta acaba de me chegar aqui. Estou com pressa, por isso desculpe alguns pontos em que tomo a liberdade de corrigi-lo.

Em primeiro lugar, não tenho uma só palavra a dizer contra qualquer religião ou fundador de religião no mundo — pense você o que pensar da nossa religião. Todas as religiões me são sagradas. Em segundo lugar, é uma falsa afirmação dizer que afirmei que os missionários não aprendem as nossas línguas vernáculas. Mantenho a minha afirmação de que poucos deles, se é que algum, dão qualquer atenção ao sânscrito; tampouco é verdade que eu tenha dito algo contra qualquer corpo religioso — exceto que de fato insisto na minha afirmação de que a Índia jamais poderá ser convertida ao cristianismo, e, além disso, nego que as condições das classes mais baixas tenham sido em algo melhoradas pelo cristianismo, e acrescento que a maioria dos cristãos do sul da Índia não só são católicos, como, segundo se autodenominam, cristãos de casta, isto é, mantêm-se presos às suas castas, e estou plenamente convencido de que, se a sociedade hindu abandonasse a sua política exclusivista, noventa por cento deles voltariam correndo ao hinduísmo com todos os seus defeitos.

Por fim, agradeço-lhe do fundo do coração por me chamar de seu compatriota. É a primeira vez que um estrangeiro europeu, ainda que nascido na Índia, ousa chamar um nativo detestado por esse nome — missionário ou não. Você ousaria me chamar assim na Índia? Peça aos seus missionários, nascidos na Índia, que façam o mesmo — e aos que não nasceram ali, que os tratem como semelhantes humanos. Quanto ao resto, você mesmo me chamaria de tolo se eu admitisse que a minha religião ou sociedade se submete a ser julgada pelos relatos de viajantes errantes ou de contadores de histórias.

Meu irmão — desculpe-me —, o que você sabe da minha sociedade ou religião, embora tenha nascido na Índia? É absolutamente impossível — a sociedade é tão fechada; e, acima de tudo, cada um julga a partir do seu padrão preconcebido de raça e religião, não é mesmo? Que o Senhor o abençoe por me chamar de compatriota. Talvez ainda venha a surgir um amor fraterno e uma comunhão entre o Oriente e o Ocidente.

Fraternalmente seu,

VIVEKANANDA.

English

XV

DETROIT,

29th March, 1894.

DEAR BROTHER,[6]*

Your letter just reached me here. I am in a hurry, so excuse a few points which I would take the liberty of correcting you in.

In the first place, I have not one word to say against any religion or founder of religion in the world — whatever you may think of our religion. All religions are sacred to me. Secondly, it is a misstatement that I said that missionaries do not learn our vernaculars. I still stick to my statement that few, if any, of them pay any attention to Sanskrit; nor is it true that I said anything against any religious body — except that I do insist on my statement that India can never be converted to Christianity, and further I deny that the conditions of the lower classes are made any better by Christianity, and add that the majority of southern Indian Christians are not only Catholics, but what they call themselves, caste Christians, that is, they stick close to their castes, and I am thoroughly persuaded that if the Hindu society gives up its exclusive policy, ninety per cent of them would rush back to Hinduism with all its defects.

Lastly, I thank you from the bottom of my heart for calling me your fellow-countryman. This is the first time any European foreigner, born in India though he be, has dared to call a detested native by that name — missionary or no missionary. Would you dare call me the same in India? Ask your missionaries, born in India, to do the same — and those not born, to treat them as fellow human beings. As to the rest, you yourself would call me a fool if I admit that my religion or society submits to be judged by strolling globe-trotters or story-writers' narratives.

My brother — excuse me — what do you know of my society or religion, though born in India? It is absolutely impossible — the society is so closed; and over and above, everyone judges from his preconceived standard of race and religion, does he not? Lord bless you for calling me a fellow-countryman. There may still come a brotherly love and fellowship between the East and West.

Yours fraternally,

VIVEKANANDA.


Texto do Wikisource, em domínio público. Publicação original da Advaita Ashrama.