A Teoria do Desígnio
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Português
A ideia de que a natureza, em todos os seus arranjos ordenados, revela um desígnio da parte do Criador do universo é boa como ensino de jardim de infância, para mostrar a beleza, o poder e a glória de Deus, a fim de conduzir as crianças, na religião, até uma concepção filosófica de Deus; mas, fora isso, ela não é boa e é perfeitamente ilógica. Como ideia filosófica, carece inteiramente de fundamento, se se toma Deus como onipotente.
Se a natureza mostra o poder de Deus ao criar o universo, (então) ter um desígnio ao fazê-lo mostra também a Sua fraqueza. Se Deus é onipotente, não precisa de nenhum desígnio, de nenhum plano, para fazer coisa alguma. Basta-Lhe querer, e está feito. Nenhuma indagação, nenhum esquema, nenhum plano de Deus na natureza.
O universo material é o resultado da consciência limitada do homem. Quando o homem se torna consciente de sua divindade, toda a matéria, toda a natureza, tal como a conhecemos, deixará de existir.
O mundo material, como tal, não tem lugar na consciência da Onipresença como necessidade de qualquer fim. Se tivesse, Deus seria limitado pelo universo. Dizer que a natureza existe por Sua permissão não é dizer que ela exista como necessidade para que Ele torne o homem perfeito, ou por qualquer outra razão.
É uma criação para a necessidade do homem, não a de Deus. Não há nenhum esquema de Deus no plano do universo. Como poderia haver algum, se Ele é onipotente? Por que haveria de ter necessidade de um plano, ou de um esquema, ou de uma razão para fazer qualquer coisa? Dizer que a tem é limitá-Lo e despojá-Lo de Seu caráter de onipotência.
Por exemplo, se você chegasse a um rio muito largo, tão largo que não pudesse atravessá-lo a não ser construindo uma ponte, o próprio fato de você ter de construir a ponte para cruzar o rio mostraria sua limitação, mostraria sua fraqueza, ainda que a capacidade de construir a ponte mostrasse, sim, sua força. Se você não fosse limitado, mas pudesse simplesmente voar ou saltar para o outro lado, não estaria sob a necessidade de construir uma ponte; e construir a ponte apenas para exibir seu poder de fazê-lo mostraria, mais uma vez, sua fraqueza, ao revelar sua vaidade, mais do que qualquer outra coisa.
O monismo e o dualismo são essencialmente o mesmo. A diferença consiste na expressão. Assim como os dualistas sustentam que o Pai e o Filho são dois, os monistas sustentam que eles são, na verdade, um só. O dualismo está na natureza, na manifestação, e o monismo é pura espiritualidade na essência.
A ideia de renúncia e sacrifício está presente em todas as religiões como um meio de chegar a Deus.
English
The idea that nature in all her orderly arrangements shows design on the part of the Creator of the universe is good as a kindergarten teaching to show the beauty, power, and glory of God, in order to lead children in religion up to a philosophical conception of God; but apart from that, it is not good, and perfectly illogical. As a philosophical idea, it is entirely without foundation, if God is taken to be omnipotent.
If nature shows the power of God in creating the universe, (then) to have a design in so doing also shows His weakness. If God is omnipotent, He needs no design, no scheme, to do anything. He has but to will it, and it is done. No question, no scheme, no plan, of God in nature.
The material universe is the result of the limited consciousness of man. When man becomes conscious of his divinity, all matter, all nature, as we know it, will cease to exist.
The material world, as such, has no place in the consciousness of the All-presence as a necessity of any end. If it had, God would be limited by the universe. To say that nature exists by His permission is not to say that it exists as a necessity for Him to make man perfect, or for any other reason.
It is a creation for man's necessity, not God's. There is no scheme of God in the plan of the universe. How could there be any if He is omnipotent? Why should He have need of a plan, or a scheme, or a reason to do anything? To say that He has is to limit Him and to rob Him of His character of omnipotence.
For instance, if you came to a very wide river, so wide that you could not get across it except by building a bridge, the very fact that you would have to build the bridge to get across the river would show your limitation, would show your weakness, even if the ability to build the bridge did show your strength. If you were not limited but could just fly or jump across, you would not be under the necessity of building a bridge; and to build the bridge just to exhibit your power to do so would show your weakness again by showing your vanity, more than it would show anything else.
Monism and dualism are essentially the same. The difference consists in the expression. As the dualists hold the Father and Son to be two, the monists hold them to be really one. Dualism is in nature, in manifestation, and monism is pure spirituality in the essence.
The idea of renunciation and sacrifice is in all religions as a means to reach God.
Texto do Wikisource, em domínio público. Publicação original da Advaita Ashrama.